EU ENTREI NA RODA

Diz a cantiga popular infantil ...

 

♬ “Ai, eu entrei na roda

Ai, eu não sei como se dança

Ai, eu entrei na "rodadança"

Ai, eu não sei dançar” ♬

Assim começa a minha história e é assim que vou cumprimentar você, minha/meu leitora/leitor visitante, vou contar um pouco de mim e da minha pesquisa. O que faço a você é um convite ao pensamento, um compartilhar de reflexões e saberes sobre a infância e a educação infantil. Em busca de novos pensamentos, fui impulsionada a entrar na roda das leituras, da pesquisa, dos encontros, num círculo constante de trocas de saberes. E é isso que você vai encontrar aqui neste site, vou partilhar minhas inquietações, aventuras, alegrias e aprendizados.

Convido-a/o a entrar nessa roda, vamos?

Olá, me chamo Valdirene, mas você pode me chamar de Teka (esse é meu apelido desde os dois meses de nascida, e confesso que gosto mais dele...rsrsrs!). Sou professora da rede pública municipal de Porto Seguro no Estado da Bahia, há 23 anos. Cursei pedagogia, me especializei em educação infantil e, atualmente, sou mestranda no Programa de Ensino e Relações Étnico-Raciais (PPGER) da Universidade Federal do Sul da Bahia aqui em Porto Seguro. Ingressei no mestrado no ano de 2018, com o objetivo de ampliar minha qualificação profissional, acreditando que com meu projeto de pesquisa poderia salvar a escola.

A partir das leituras iniciais de seus textos, algo me ocorreu, me senti/sinto em constante metamorfose, seus escritos me fizeram repensar as infâncias, as crianças e eu mesma. Me joguei no desconhecido e durante um semestre do curso no ano de 2019, fui incentivada por minha orientadora a ir para a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Voei para Porto Alegre para cursar componentes relacionados à infância, pois o PPGER não ofertava, foi uma experiência incrível, conheci pessoas lindas, acolhedoras e generosas, lugares encantadores e escolas de educação infantil potentes. Pude vivenciar o mundo de uma universidade que é referência em ensino, pesquisa e extensão.

Lembro-me bem do primeiro quadrimestre ao cursar alguns componentes curriculares, em como estava encantada com a instituição acadêmica! Afinal, cursar um mestrado era um sonho que parecia inalcançável. Contudo, foi exatamente nesse caminho que encontrei um estudioso que vem aos poucos balançando minhas certezas – o filósofo Michel Foucault, apresentado à nossa turma pela Prof.ª Eliana Póvoas no componente de Políticas Públicas e Relações Raciais. Posso dizer que no primeiro momento não foi um encontro muito prazeroso, o pensamento desse autor mexeu com muitas das minhas evidências.

Ao retornar, reescrevi meu projeto de pesquisa em parceria com a orientadora, denominando-o Infâncias, poder e resistências nas narrativas docentes. Com este trabalho, busquei compreender a seguinte ideia: “como nós professoras/es da educação infantil pensamos a infância e a ela atribuímos significados sociais, políticos, culturais e pedagógicos”? Esta foi minha problemática, e teve como objetivo geral conhecer/problematizar e tencionar, a partir dos saberes das professoras, as concepções de infância, acompanhando em suas narrativas os movimentos de aceitação/resistência aos processos de normatizações escolares.

 

Para realizar a pesquisa, convidei professoras efetivas da educação infantil do município, para formar um grupo e iniciar conversas sobre temáticas relacionadas a essa etapa da educação básica. Busquei construir, em parceria com minhas colegas de profissão, um processo de pesquisa solidário e colaborativo. Esse movimento foi construído para impulsionar conversas entre colegas de profissão e ensaiar novas alternativas para pensar a infância como lugar potente para invenção de um mundo diferente.

Como aprendi com Foucault, tudo está imerso em relações de poder e saber, por isso desejo continuar a visitar seus escritos e a de suas/seus estudiosas/os. Por isso também, acredito numa infância diferente, num mundo diferente para as crianças e para nós professoras/es que trabalhamos com elas. Foi esse movimento que busquei junto as  professoras-parceiras, e que ora materializamos neste site nosso percurso educativo. Não sei se as professoras que iniciaram essa roda continuarão comigo, mas ela estará sempre aberta a todas e todos que quiserem entrar e compartilhar suas inquietações, alegrias e desejos em relação à infância e à educação infantil.

Sinta-se à vontade e entre quando quiser,

venha participar dessa roda, você será sempre bem-vinda/o!