RODA DOS ENCONTROS

Para realizar nossa roda de encontros, tivemos à disposição a sala de reuniões da Associação de Professores Licenciados do Brasil (APLB), Delegacia Costa do Descobrimento em Porto Seguro (Sindicato das/os Trabalhadoras/es em Educação da Rede Pública). A partir de um cronograma inicial, propus às colegas oito momentos de estudo/discussão acerca de diferentes questões que envolvem a infância e a educação infantil, e, no decorrer do processo, foram surgindo novos temas.  Os encontros ocorreram em sábados não-letivos, com duração de cinco horas no turno matutino, e de acordo com a disponibilidade de cada uma. Compartilhamos com você esse movimento cartográfico que foi sendo construído coletivamente, e que agora se apresenta por meio de algumas fotos e de uma descrição breve das nossas discussões.  

Fique à vontade para entrar!

1º ENCONTRO

O primeiro encontro foi realizado no dia 28 de setembro de 2019, e teve como proposta apresentar a pesquisa e convidar as professoras a fazer parte dessa aventura sobre o ser/estar na docência da educação infantil, discutindo temáticas relacionadas à infância. Além disso, combinamos que, no decorrer dos encontros, elas iriam sugerir questões que gostariam de abordar em nossas conversas. Assim, nesse dia. compartilhamos experiências docentes e acadêmicas, conversamos sobre os documentos que orientam para o trabalho na educação infantil brasileira e houve a exposição/discussão de vídeos –com a historiadora Mery Del Priore e com a socióloga da infância Anete Abramowicz –, com o recorte para o período Brasil Colônia. Após a exibição dos vídeos, os diálogos no grupo voltaram-se para a infância brasileira no passado, pontuando as questões de classe, raça e gênero e a diferença na educação das crianças escravas e imigrantes pobres em relação às crianças brancas da elite portuguesa. Com a discussão, o texto O direito das crianças a educação infantil de Anete Abramowicz, inicialmente sugerido para aquela manhã, não foi lido em grupo, pois as conversas foram acontecendo e já caminhávamos para a finalização do encontro. Optamos, então, por realizar a leitura em casa e discuti-lo no primeiro momento do segundo encontro.

2º ENCONTRO

O segundo encontro, realizado no dia 5 de outubro de 2019, tinha como objetivo primeiro discutir o texto O direito das crianças a educação infantil de Anete Abramowicz sugerido no encontro anterior. No entanto, as professoras expressaram que devido às demandas profissionais e particulares, com a Semana da Criança, não houve possibilidade de leitura. As singularidades do processo foram sendo apresentadas no percurso e, coletivamente, nos adaptamos às propostas e necessidades de continuidade dos nossos encontros. De toda maneira, os textos sugeridos foram aos poucos sendo enviados por e-mail, para leituras posteriores. Dessa maneira, dando continuidade às discussões, o encontro tratou das questões de gênero e sexualidade. Assim, foram disponibilizados o texto Infâncias, gênero e sexualidade: articulações possíveis de autoria de Salazar Guizzo, Dinah Quesada Beck e Jane Felipe, a leitura do livro infantil Ceci tem pipi? de Thierry Lenain, e a exibição/discussão dos vídeos Desigualdade de gênero no olhar das crianças/A criança do presente. A temática abordada nesse encontro impulsionou muitas questões vivenciadas no cotidiano escolar e nas nossas vidas. Foram levantados pelo grupo quais podem ser os limites/ou não, para se tratar as questões de gênero e sexualidade no ambiente escolar, sobretudo pelo posicionamento de algumas famílias e da gestão. Nesse encontro, as professoras trouxeram sugestões para serem discutidas nos encontros seguintes, sendo elas: autoestima na infância, planejamento na educação infantil e concepções de criança e infância.

3º ENCONTRO

Para o terceiro encontro, realizado no dia 19 de outubro de 2019, a temática discutida foi autoestima na infância, sugerida por uma das professoras-parceiras. Foi exibido/discutido o vídeo A criança do Futuro e disponibilizado o texto Infâncias em Educação Infantil de Anete Abramowicz. Conversamos sobre essa importante questão para o ser humano, que é a autoestima, e confesso que, por mais que tenha me esforçado para trazer textos e materiais para dinamizar a discussão, o momento para mim foi de muitas dúvidas e inquietações. Todavia, pudemos perceber num dos vídeos assistido como os discursos médicos buscam normalizar os sujeitos na sociedade. É importante dizer que, durante esse encontro, voltávamos às questões discutidas no encontro anterior, indicando a emergência que existe em pensar as temáticas de gênero e sexualidade na educação infantil.

4º ENCONTRO

No quarto encontro, realizado no dia 26 de outubro de 2019, discutimos o planejamento na educação infantil, também sugerido por algumas professoras-parceiras. Foi disponibilizado/discutido parte do texto Infância, raça e paparicação, de Fabiana de Oliveira e Anete Abramowicz, e foi exibido/discutido o vídeo Ninguém nasce racista. Quanto ao planejamento, conversamos sobre as múltiplas possibilidades de se pensar as práticas educativas com as crianças e as professoras expressaram muitas propostas potentes que realizam no cotidiano escolar, mesmo em meio às dificuldades. Na sequência, a exibição do vídeo provocou uma comoção unânime no grupo e impulsionou muitas discussões com a pergunta da Professora Lis: “Podemos falar raça ou etnia? Sempre tenho essa dúvida”. A partir desse momento, continuamos a pensar sobre as complexidades que envolvem as questões raciais e a relevância em provocar debates sobre essa temática na educação infantil.

5º ENCONTRO

O quinto encontro, realizado no dia 09 de novembro de 2019, discutiu as concepções de criança e infância, proposta sugerida por uma das professoras-parceiras.  Para esse estudo, foram disponibilizados/lidos os seguintes textos: Infâncias e crianças na contemporaneidade de Rodrigo Saballa e Maria Simone Vione, e os fragmentos do texto de Jorge Larrosa O enigma da infância ou o que vai do impossível ao verdadeiro, além das exibições/discussões dos vídeos Território do brincar, e Conversas metodológicas com a Profª. Anete Abramowicz. No decorrer das leituras e vídeos, interagíamos expressando nossas experiências escolares. Foram discussões calorosas, e nesse dia contamos também com a presença de uma coordenadora convidada por uma das professoras do grupo. Ao final, concluímos que as concepções de infância e criança são múltiplas, a depender do momento histórico e de cada sociedade.

6º ENCONTRO

No sexto encontro, realizado no dia 23 de novembro de 2019, houve a continuidade da leitura/discussão dos fragmentos do texto de Jorge Larrosa O enigma da infância ou o que vai do impossível ao verdadeiro e a exibição/discussão dos vídeos, O devir-criança de Cezar Donizeti e Os Brincantes de Nélio Spreia. Nesse dia, continuamos com a leitura do texto de Larrosa, que trabalha com a noção de alteridade no nascimento e com a possibilidade de um novo começo, de uma novidade, uma descontinuidade, fazendo uma analogia com o nascimento de Jesus e o infanticídio provocado por Herodes, pelo medo do novo. Em seguida, assistimos aos vídeos e pensamos nas possibilidades de inversão do olhar considerando o modo como as crianças brincam, captam imagens. Os audiovisuais, através de fotos e filmagens, mostram um novo e diferente olhar que ultrapassa as percepções adultocêntricas.

7º ENCONTRO

Para o sétimo encontro, realizado no dia 7 de dezembro de 2019, foi disponibilizado, lido e discutido o texto René Shérer e a filosofia da educação: primeiras aproximações, de Silvio Gallo. Me disponibilizei a fazer a leitura direta, pois decidimos que seria melhor e, ao final, discutiríamos as principais ideias abordadas pelo autor. O texto se distancia da concepção de infância como etapa desenvolvimentista, pensa-a como invenção do adulto, estando capturada no tecido social por um dispositivo pedagógico e pela pedagogização integral; apresenta, ainda, a possibilidade de pensar em uma infância maior, por ela e em si mesma, sugerindo um caminhar com as crianças, aprendendo com elas num movimento de devir-criança. A partir dessa leitura, conversamos sobre as possibilidades e implicações em relação ao dia a dia da escola, regulamentada que é por processos normatizadores, provocando debates e inquietações no grupo. O encontro contou ainda, com a participação da Profª. Drª. Eliana Póvoas (orientadora da pesquisa).

8º ENCONTRO

O oitavo e último encontro, no dia 14 de dezembro de 2019, foi realizado na Barraca Manito Praia na Orla Norte em Porto Seguro. Esta opção foi sugerida por mim, e aceita por todo o grupo. Nesse dia, houve muitos diálogos sobre escola, família, inquietações, sentimentos, entre muitos outros assuntos. Estávamos num sábado, à beira mar, apreciando a natureza exuberante de nossa cidade e mesmo em meio às burocracias e ao cansaço do encerramento do ano letivo, o encontro foi belo e produtivo, de uma riqueza e alegria imensa – o tempo de convivência foi estreitando nossas interações e afetos.  Combinamos que cada professora faria uma escrita livre registrando as sensações acerca do tempo que estivemos juntas nos encontros. Após o registro,  seguimos a sugestão dada no encontro anterior por uma das professoras-parceiras e realizamos  uma brincadeira chamada “amiga da onça”[1] com troca de lembranças.

 

[1] Brincadeira com troca de presentes que as pessoas participantes são sorteadas na hora do encontro e podem trocar o presente pelo de outro participante.

ENCONTRO VIRTUAL PARA APRESENTAÇÃO DA PESQUISA

Olá! Em meio a tempos bicudos e pandêmicos, quero compartilhar com você um encontro virtual que realizei com as professoras-parceiras da minha pesquisa. Antes da atual situação que estamos vivendo, havia planejado um reencontro para apresentar a finalização do texto e do produto às professoras numa data anterior a minha defesa, no entanto, precisei fazer uma reorganização. Sem ter a menor ideia de como faria isso por estar habituada a encontros presenciais e muito limitada ainda em relação as novas tecnologias, conversei com minha orientadora que gentilmente agendou uma reunião na sala da plataforma Meet no dia 20/04/2020 às 14 horas. Nesse sentido, enviei pelo WhatsApp um convite as professoras, obtendo a confirmação de participação de algumas. Na data prevista, nos reunimos e pude compartilhar os resultados da pesquisa, informei a todas que o espaço estará aberto para quem desejar continuar na roda conversando sobre as temáticas que atravessam a educação infantil. Pedi que visitassem o site posteriormente e expressassem o que acharam da nossa construção coletiva, desse modo, seguem algumas narrativas:

 “Entrei no site...ficou muito massa !!” (Profa. Maristela, 21/04/2020)

“Gostei do nome do site”. (Profa. Dacy, 21/04/2020)

“Ficou massa demais. Estou orgulhosa de vc. Ficou simples e ao mesmo tempo sofisticado. Amei. Me senti importante ali naquele site. É um site de utilidade acadêmica. Fiz um textinho para explicar o link. O que você acha? Este link contém material de uma formação de professores de 2019 como proposta de intervenção do Mestrado da professora Teka com as temáticas: raça, etnia, gênero, sexualidade, entre outros na infância. No site contém artigos, vídeos informativos, livros e muito mais. Vale a pena acessar. ” (Profa. Suzy, 20/04/2020). 

 

Sigamos na roda...

 

Se você quiser conversar conosco, este é nosso endereço de e-mail.

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E-mail do grupo: encontroseducacaoinfantil@gmail.com

 

Desenhos: crianças das turmas das professoras Daniela e Maristela, 2019.

Fotos: arquivo pessoal da pesquisadora.